O impacto da agricultura familiar na economia brasileira

Crédito da fotografia: 
Rômulo Serpa / Ascom Sead

 

Muito se fala sobre alimentação saudável e diversificada nos dias de hoje, mas pouco se valoriza a origem dos alimentos e muito menos se sabe como a agricultura familiar impacta diretamente na economia brasileira. Na entrevista a seguir, o economista da Subsecretaria de Reordenamento Agrário (SRA) da Secretaria Especial de Agricultura Familiar e do Desenvolvimento Agrário (Sead), Flauzino Antunes Neto, explica como o crédito fundiário é importante para que as famílias rurais do nosso país consigam produzir 70% dos alimentos que chegam à mesa dos cidadãos brasileiros. Ele esclarece como a produção no campo atende o mercado interno sendo capaz de reduzir os índices da inflação.

O economista é pós-graduado em Economia do Setor Público e há sete anos, é servidor da Sead. Atualmente, é membro do Conselho Regional de Economia do Distrito Federal (Corecon-DF) e presidente do Sindicato dos Economistas do Distrito Federal (Sindecon-DF).

Qual a importância do crédito fundiário?
A SRA trabalha com titulação da terra e o crédito fundiário. Para o financiamento da compra da propriedade, a política pública é executada por juros muito pequenos. Por meio dela, o homem é colocado no campo e a partir daí passa a acessar outros programas do Governo Federal.  Então para muitos produtores de alimentos essa é a porta de entrada da Sead na agricultura familiar, uma vez que nosso trabalho não é só possibilitar a terra, mas também oferecer suporte nela.

Quantas famílias rurais essa política beneficia diretamente?
O Programa Nacional de Crédito Fundiário (PNCF) veio se remodelando conforme o tempo passou, muito se fez e muito se atingiu. É uma trajetória de sucesso que atualmente beneficia mais de 140 mil famílias pelo Brasil. Somos fiéis ao que foi proposto: proporcionar a compra da terra e a manutenção nela, por meio de outras políticas. Posso citar a Assistência Técnica e Extensão Rural (Ater), que auxilia a produzir, e programas que proporcionam a venda da produção agrícola.

Como a agricultura familiar representa 70% dos alimentos que chegam na mesa dos brasileiros?
Temos um levantamento que varia de ano em ano, mas que fica próximo dos 70% do que se consome. Chegamos nesse número porque as grandes propriedades rurais são voltadas para produção de commodities, grãos, e alguma coisa que vá abastecer a indústria. Trata-se da monocultura, por exemplo, de soja, milho, laranja e cana-de-açúcar, com alvo para exportação. Já na agricultura familiar não, a produção é diversificada. São pequenas propriedades, cada uma voltada para um segmento, e que abastecem o mercado interno. 

De que maneira essa produção familiar no campo impacta a economia brasileira sendo capaz de reduzir a inflação?
Quando se abastece o mercado interno, o resultado econômico são os componentes que formam os índices de inflação: Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) e Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC). Aí estão os preços que não são da pauta externa, por exemplo do arroz, do feijão e da mandioca. Quando temos uma inflação alta, isso dificulta a vida dos moradores das cidades porque os valores sobem. Controlar a inflação não é só uma questão de regulação de entrega de moeda. O que mais prejudica o brasileiro na inflação é o preço dos alimentos. Se investirmos mais nas políticas da agricultura familiar, temos um grande componente da inflação sendo controlado. Aumentar a produção e a diversificação significa diminuir o preço.

Então o Brasil pode melhorar o cenário econômico por meio do crédito fundiário?
Colocar mais homem no campo e aumentar o nível de produção da agricultura familiar representa um melhor cenário econômico. É preciso enxergar a importância econômica que a agricultura familiar tem. Um bom exemplo de valorização do homem no campo acontece nos países europeus e norte-americanos. Quanto mais produzem internamente, menos precisam comprar fora. O nosso crédito fundiário contribui enormemente para isso. Graças a ele, há no campo mais famílias produzindo a maior parte dos itens da nossa cesta básica.

O crédito fundiário passa por uma remodelação que promete beneficiar ainda mais famílias rurais, não é?
O grande gargalo da nossa política pública era o valor oferecido para financiamento, com o teto de R$80 mil. O valor da terra no Brasil foi crescendo, o que dificultava adquirir uma propriedade de boa qualidade e próxima do mercado consumidor. Então aumentamos esse valor e a perspectiva é que consigamos realizar o sonho da terra para ainda mais pessoas. Com o teto maior, será ampliada a possibilidade da compra da terra. A perspectiva é que em 2018 o trabalho esteja a todo vapor. A SRA considera importante fortalecer a agricultura familiar por meio da integração das políticas fundiárias e agrícolas. 

Saiba mais sobre o crédito fundiário aqui.

Confira a versão de vídeo:


 

Fernanda Lisboa 
Secretaria Especial de Agricultura Familiar e do Desenvolvimento Agrário
Assessoria de Comunicação
Contatos: (61) 2020-0128 / 0127 e imprensa@mda.gov.br

Nome do entrevistado: 
Flauzino Antunes Neto
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