Sead celebra o Dia Nacional do Bioma Pampa

sexta-feira, 21 Dezembro, 2018 - 18:15
Ascom/ Sead

Em atenção a uma das paisagens de maior biodiversidade e beleza do Brasil, a Secretaria Especial de Agricultura Familiar e do Desenvolvimento Agrário (Sead), celebra o Dia Nacional do Bioma Pampa, comemorado oficialmente no dia 17 de dezembro em homenagem à data de nascimento do célebre ambientalista gaúcho, José Lutzemberger.

Este bioma é um dos mais belos tipos de paisagens naturais e ocupa uma área de 63% do Rio Grande do Sul e 2% do território nacional. Sua extensão é de 176,5 km². Também conhecido como Campos do Sul ou Campos Sulinos, o Pampa é constituído principalmente, por vegetação campestre (gramíneas, herbáceas e algumas árvores), com recortes de florestas nos cursos d´água. 

O Pampa é uma região de clima temperado, com temperaturas médias de 18°C, formada por coxilhas onde se situam os campos de produção pecuária e as várzeas que se caracterizam por áreas baixas e úmidas. Apresenta flora e fauna próprias e grande biodiversidade, ainda não completamente descrita pela ciência. Estimativas indicam valores em torno de 3.000 espécies de plantas, com notável diversidade de gramíneas, são mais de 450 espécies.

Em geral, o solo é fértil com elevado potencial para o desenvolvimento de atividades agrícolas, particularmente nas áreas de terra roxa. As pastagens características da região estão diretamente relacionadas às atividades socioeconômicas ali historicamente desenvolvidas, com predominância da lavoura – destaque para as culturas do arroz, milho, trigo e soja – e da pecuária extensiva, em especial, a criação de gado cuja base alimentar é o pasto nativo.

O pampa é hoje o bioma brasileiro com menor porcentagem de suas áreas protegidas pelo Sistema Nacional de Unidades de Conservação. Menos de 1% de toda a extensão é protegida. Isso representa um risco imenso para a manutenção do bioma a longo prazo, e é mais preocupante quando se pensa que o pampa está acima da maior parte do aquífero Guarani, segundo maior aquífero subterrâneo de água doce do Brasil. Apesar da paisagem aparentemente simples, o pampa guarda em si uma complexidade rara e perder essa riqueza não é algo que possamos cogitar nos próximos anos.

Este ambiente que se expande pelo Uruguai, Argentina e Paraguai foi responsável pela formação do povo gaúcho, o qual apresenta particularidades que ultrapassam as fronteiras. O apego à liberdade, o cavalo, a vocação para a criação do gado são frutos de uma interação harmônica entre a ocupação da terra e a conservação do ambiente natural. 

Nesta região é possível produzir carne, leite e lã sem degradar o meio ambiente. A formação vegetal natural oferece condições de uma produção sustentável em todos os aspectos. A carne produzida sobre esses campos apresenta alto valor nutricional e com características diferenciadas de sabor que trazem benefícios à saúde do homem.

A produção é sustentável sobre este recurso natural, pois há renovação da vegetação natural beneficiado a produção. Infelizmente, esse modo de produção vem sendo substituído ao longo dos anos e acelerando na última década. Com uma topografia favorável à mecanização, a expansão das culturas de grãos tem recebido incentivos para serem implementadas neste bioma.

O zootecnista e assistente técnico regional da área de produção animal do Escritório Regional de Bagé da Sead no Rio Grande do Sul, Fábio Eduardo Schlick, 48 anos, informa que os agricultores deste bioma vêm sendo beneficiados por várias políticas públicas da Sead, principalmente, pelo Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), porém, outras ações têm proporcionado benefícios aos agricultores familiares desta região.

Fábio avalia que “em toda a região, a agricultura familiar tem sua participação efetiva, estima-se que mais de 70% dos produtores do Pampa são desta categoria, denominados como pecuaristas familiares. E os programas de aquisição de alimentos da Sead têm gerado renda aos agricultores familiares e as chamadas públicas de apoio, aos produtores rurais.”

 

Conservação do bioma

No bioma Pampa são duas unidades de conservação: a Área de Proteção Ambiental (APA), de Ibirapuitã (316.790,42 hectares) e a Área de Relevante Interesse Ecológico (Arie), Pontal dos Latinos e Pontal dos Santiagos (2.992,2600 hectares).

O Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) trabalha com unidades de conservação espalhadas por todos os biomas brasileiros. Hoje, é a principal ferramenta do governo para manter essas regiões sob constante cuidado. Ao todo, são mais de 2 mil unidades de conservação pelo Brasil, sendo 327 do governo federal, separadas em 12 categorias, que se encaixam em dois grandes grupos: o de Proteção Integral e o de Uso Sustentável. As unidades são geridas pelo ICMBio, desde a IN 29/2012.

O documento contém as regras construídas e definidas pela população tradicional beneficiária da Unidade de Conservação de Uso Sustentável com o Instituto Chico Mendes relativas às atividades que são tradicionalmente praticadas, como deve se dar o manejo dos recursos naturais e o uso e ocupação da área, com o objetivo de conciliar as atividades e a conservação ambiental.

É necessário desmistificar a lenda de que os campos do Pampa são pobres e apenas servem para o pasto. Sua fauna e flora são ricas e contribuem largamente para o ranking da biodiversidade no Brasil. Viva o Pampa!

 


Assessoria de Comunicação
Secretaria Especial de Agricultura Familiar e do Desenvolvimento Agrário
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