Quintais produtivos mudam a vida de mulheres pernambucanas

quinta-feira, 14 Janeiro, 2016 - 13:30

Cabo de Santo Agostinho, que fica no litoral de Pernambuco, tem paisagens lindas e o cenário ideal para amantes da prática de esportes náuticos e radicais.  E, em meio a uma natureza rica e diversificada, outra paisagem vem chamando a atenção: os quintais produtivos. Por meio deles, um grupo de mulheres produzem hortaliças, ervas e frutas - que dão origem a pães e geleias, ou são vendidas in natura para grandes chefes de cozinha e em feiras região.  

Os quintais produtivos são áreas que ficam nos arredores das casas usadas para o cultivo de frutas, verduras, ervas e plantas medicinais e para a criação de pequenos animais. Eles são importantes pois, além de garantir alimentação saudável para a família, se tornaram uma fonte de renda extra.  Na região de Cabo de Santo Agostinho o projeto foi implantado há quatro anos e faz parte do programa Reserva da Cidadania, que tem como objetivo o desenvolvimento local sustentável. 

Coordenado pela socióloga Adriana Franco, do Instituto de Assessoria para o Desenvolvimento Humano (IADH), o projeto foi como uma injeção de ânimo para as mulheres da região. “Temos relatos de mulheres que estavam desanimadas, tristes, e até desprestigias no âmbito familiar. E, a gente vê que isso, hoje, mudou”, comemora a socióloga ao falar que agora elas são reconhecidas e estão mais felizes. “Elas expõem na feira e criam um canal de freguesia direta, pois elas também têm um procedimento de entrega dos produtos e já estão com alguns contratos fixos com restaurantes”, acrescenta.

Atualmente, 15 mulheres fazem parte do programa.   Além de trazer motivação para essas pernambucanas, os quintais produtivos têm sido aliados importantes no aumento da renda familiar.  “Elas têm conseguido um incremento de 30 a 40% na capacidade de renda que elas tinham com outras atividades, como costurar, lavar e passar”, ressalta Adriana Franco ao  destacar que o sucesso dos quintais já está chamando a atenção dos homens. “O programa tem o recorte de gênero, mas o interessante é que tem muito homem querendo fazer parte do projeto”, afirma a socióloga.

Canteiros de planos

A dona de casa Djane Maria da Silva tem 46 anos, é casada e mãe de uma filha de 20 anos. Ela é dessas pessoas que dá gosto de ouvir e conversar.  Alegre, cheia de projetos e garra, com meia dúzia de palavras ela já te faz sorrir e repensar um monte de coisas, principalmente os hábitos alimentares. Djane conta que seu interesse por alimentos saudáveis vem desde pequena, quando via seu pai plantar, colher e levar para mesa alimentos sem agrotóxicos.

Há três anos ela cultiva hortaliças, ervas e frutas do seu quintal. Para a produtora, o projeto mudou ainda mais sua concepção de cultivo orgânico.  “Ele entrou na minha vida para agregar valores e técnicas, pois tivemos capacitação e aprendemos a conhecer melhor o que estamos plantando, a época de plantio, como cuidar da terra. Tudo de forma ecologicamente correta”.

Questionada sobre o que acha mais interessante no projeto, Djane Maria da Silva diz que a socialização é um dos pontos principais.  “Tinha gente que morava aqui há muito tempo e não tinha nenhuma aproximação, e, hoje, somos todos amigos”, diz.  Para este ano, a dona de casa está cheia de planos. “Eu penso em crescer. Tudo isso é questão de investimento, eu vou me informar melhor sobre as linhas do Pronaf que posso acessar, de acordo com a nossa atividade, que é a agricultura familiar”, destaca.

“Seja com os quintais produtivos ou outra atividade, nós queremos crescer. Temos essa preocupação de, em 2016, nos informarmos e buscar  investimentos”,  acrescenta Djane Maria da Silva ao falar que até o final do ano pretende desenvolver um projeto pedagógico com escolas da região para mostrar para as crianças a importância de uma alimentação orgânica e saudável. 

Fomento Mulher

Trabalhadoras assentadas da reforma agrária possuem uma linha de crédito específica para investirem nos quintais produtivos. Com o crédito Fomento Mulher, cada trabalhadora pode receber até R$ 3 mil, com o prazo de um ano para pagar. Se for pago dentro deste prazo e de uma vez só, a agricultora familiar tem um desconto de 80%.

Para acessar o benefício é preciso que ela seja atendida pelo Serviço de Assistência Técnica e Extensão Rural (Ater) e esta com o seu cadastro no Instituto Nacional de Reforma Agrária (Incra) atualizado.  Também é preciso estar inscrita no CadÚnico.

 

Adolfo Brito
Ascom/MDA

Ir para o Topo