Pronaf define futuro de jovem rural

quarta-feira, 30 Março, 2016 - 14:30
Pedro registra o momento da colheita de mel da caixa de cimento com a família

O acesso ao Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) para jovens direcionou a escolha profissional de Pedro de Assis de Oliveira, 26 anos. No final deste ano, ele se forma no curso de Zootecnia e pretende dedicar-se ainda mais a produção de mel.

Essa história começou em 2005, quando ele e o pai resolveram investir na produção de mel, sem recursos financeiros. Cinco anos depois, em 2010, Pedro conseguiu o empréstimo de R$ 6,5 mil, via Pronaf/Jovem, e o negócio familiar, que não rendia muito, deslanchou. Foi a partir daí, que Pedro resolveu aperfeiçoar seus conhecimentos sobre apicultura e ingressar na faculdade.

Com o empréstimo, o jovem agricultor conta que foi possível comprar tudo o que era necessário para o apiário, como equipamentos de proteção individual completos e caixas de abelhas. Atualmente, o mel é o carro-chefe dos produtos da propriedade. “O mel é responsável por 70% da nossa renda. Produzimos nove mil quilos por ano. Temos 60 caixas, cada uma com até 60 mil abelhas”, fala Pedro.

O mel é comercializado para Cooperativa da Agricultura Familiar Indígena e Assentados do Nordeste Brasileiro (COODAPIS), por meio do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA). Na época da colheita, Pedro, o pai e mais quatro irmãos vão ao campo recolher o produto.

A propriedade dos Oliveira fica no município Manari, localizado no Sertão de Moxotó, em Pernambuco. É lá que a família também cultiva macaxeira, o ano todo, e grãos, como feijão e milho, quando as condições climáticas são favoráveis. 

O jovem quita o empréstimo do Pronaf em 2018. “Tive carência de três anos antes de começar a pagar as parcelas. Com a venda do mel, consigo pagar em dia o empréstimo e ainda sobra dinheiro. Foi um bom investimento”, analisa.   

Curso de Zootecnia

Encantado pela apicultura, Pedro resolveu ingressar na faculdade de Zootecnia em 2011. No final deste ano, ele conclui o curso e pretende continuar aperfeiçoando o processo de produção do mel. Ele também é técnico em agropecuária. “Quero fazer mestrado ou especialização na área. Pretendo investir na apicultura migratória. A técnica consiste em movimentar as caixas de abelhas, conforme os lugares onde choveu e tem florada. Assim conseguirei produzir mel o ano todo”, explica.

Caixas de abelhas feitas de cimento

O que Pedro aprendeu na roça com o pai, ele aperfeiçoa com a parte científica do curso de Zootecnia. Em parceria, os dois desenvolveram uma caixa de abelhas feita com cimento.  A ideia foi do pai para reduzir os custos iniciais de produção, já que as caixas tradicionalmente são feitas com madeira. Para o jovem, ficou a parte de pesquisa e redação de um parecer técnico sobre o assunto. “Estou investigando a temperatura e umidade da caixa de cimento para saber se realmente é viável. Das 60 caixas que temos, 10 são de cimento”, comenta.

Outra invenção paternal investigada por Pedro, é o melhor posicionamento para colocação dos apiários. “O meu pai pegou uma caixa e furou os quatro lados, para saber por qual deles as abelhas entrarão. Eu estou fazendo o estudo científico do caso. O meu pai tem as ideias e as comprovo”, finaliza.

 

>> Veja aqui como acessar o Pronaf.

 

 

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