Fruticultores de Mesquita (RJ) criam agroindústria para diversificar a produção e aumentar a renda

quinta-feira, 28 Dezembro, 2017 - 10:45
Coopamesq

Até pouco tempo limitados à venda da produção in natura nos mercados locais, além de algumas participações individuais nos mercados de compras públicas - e sempre vendo parte da produção estragar por impossibilidade de aproveitamento - 21 agricultores familiares fruticultores de Mesquita, município localizado na Região Metropolitana do Rio de Janeiro, resolveram se unir em busca de melhoria de renda e de qualidade de vida.

Em um exemplo de empreendedorismo no meio rural eles criaram, no ano de 2012, a Cooperativa Agropecuária de Mesquita (Coopamesq), conquistaram apoio financeiro e assistência técnica, construíram uma agroindústria para o beneficiamento da produção e deram início ao processamento de polpas de frutas para melhor aproveitamento da cadeia produtiva frutífera.


Produtos com registro e selo de origem

Inaugurada no último dia 12 de dezembro, a unidade de beneficiamento é operada pelos próprios agricultores familiares, e em sua primeira leva de produção, processou 107 quilos de polpa de acerola, envasados em pacotes de 100 e 500 gramas e prontos para o consumo.

Quando as novas safras atingirem o ponto de colheita os fruticultores darão início à produção de mais oito sabores de polpas de frutas (manga, jabuticaba, seriguela, cajá, açaí, maracujá, abacaxi e goiaba).

Todas as variedades de polpas processadas pela cooperativa possuem registro no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) e contam também com o Selo de Produto Genuíno de Mesquita, expedido pela prefeitura daquele município para identificar, agregar valor e divulgar a agricultura local.


Apoio

Para planejar cada passo do empreendimento os fruticultores contaram com a assistência do engenheiro agrônomo Fabio Villas Bôas, destacado pela Secretaria Municipal de Trabalho, Desenvolvimento Econômico e Agricultura (Setrades) de Mesquita. Segundo ele, várias exigências tiveram que ser cumpridas pelos agricultores ao longo de 2017, até que a agroindústria pudesse começar a produzir.

“Desde reformas para a adequação do espaço às exigências sanitárias até a realização de cursos de preparação de doces e de boas práticas de fabricação em alimentos, em parceria com o Senai e a Embrapa, tudo foi realizado para viabilizar o sucesso do empreendimento”, resumiu o engenheiro agrônomo.


Sustentabilidade

Villas Bôas destacou que a proteção do meio ambiente também foi uma preocupação que mereceu atenção redobrada durante o desenvolvimento do projeto agroindustrial.

Como os agricultores envolvidos residem e produzem em áreas de proteção ambiental, diversas restrições e cuidados especiais foram observados na produção das espécies frutíferas.

“Utilizamos práticas agroecológicas de cultivo objetivando não somente preservar o meio ambiente, como também oferecer um produto saudável e seguro ao consumidor. Os adubos e defensivos utilizados por eles (agricultores), por exemplo, são alternativos e certificados”, explicou.


Foco nas compras públicas

Dentro do plano de negócios desenvolvido pela cooperativa, a venda das polpas será feita, inicialmente, apenas no mercado local, como estratégia para conquistar clientes e divulgar a marca. Mas a meta dos pequenos produtores rurais da Coopamesq, segundo sua presidente, a agricultora familiar Vitória Dourado, é a entrada no mercado das compras públicas, principalmente na venda para o Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae).

“Todos os nossos agricultores têm DAP individual (Declaração de Aptidão ao Pronaf) e a cooperativa já possui a sua DAP jurídica. Então a ideia é disputar espaço para nossos produtos, dentro dos 30% que cabem à agricultura familiar nas compras do Pnae”, afirmou a agricultora familiar.

Sipaf

E para ganhar vantagem competitiva nesses mercados, a cooperativa se prepara para solicitar o Selo de Identificação da Participação da Agricultura Familiar (Sipaf), expedido pela Secretaria Especial de Agricultura Familiar e do Desenvolvimento Agrário (Sead) e também, o Selo de Produto Orgânico, concedido pelo Instituto Nacional de Tecnologia (INT).

“A produção é toda familiar e sustentável, daí porque iremos requisitar a expedição do selo do INT e o Sipaf. Enquanto o primeiro atesta que o produto cumpriu regras as do sistema orgânico de produção, o segundo assegura que o mesmo tem sua origem na agricultura familiar. Ambos agregarão valor às polpas de frutas e darão segurança ao consumidor quanto à qualidade e a origem dos alimentos”, justificou Fabio Villas Bôas.


Ao invés de prejuízo, novas perspectivas

Com a entrada em funcionamento da agroindústria, os agricultores da Cooperativa Agropecuária de Mesquita deixam para trás um passado marcado pelas constantes perdas do excedente não comercializado e passam a trabalhar em um cenário de novas possibilidades de negócios, de ampliação dos lucros e de perspectivas de desenvolvimento econômico e social.

Nesse sentido, para a presidente da Cooperativa Agropecuária de Mesquita, a entrega da primeira remessa de polpa de acerola não marcou somente a inauguração da unidade de beneficiamento de frutas da Coopamesq, mas também representou o início de uma reviravolta nas condições de trabalho e de vida dos agricultores cooperados.

“Antes disso a gente perdia muita fruta mesmo! Era dinheiro jogado fora porque não tinha como aproveitar a produção que não era vendida. O início das operações da agroindústria vai melhorar a renda dos nossos agricultores. Nosso sucesso agora só depende da gente”, celebrou Vitória Dourado.


Sidney Dantas
Delegacia Federal de Desenvolvimento Agrário do Rio de Janeiro (DFDA-RJ)
Assessoria de Comunicação
Contatos: (61) 2020-0120 e imprensa@mda.gov.br

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