Festa Anual das Árvores: símbolo da natureza

sexta-feira, 21 Setembro, 2018 - 17:45
Ubirajara Machado

Nesta sexta-feira (21) comemora-se o dia da Festa Anual das Árvores. De acordo com o Decreto nº 55.795, de 24 de fevereiro de 1965, a data foi instituída em todo o território nacional em substituição ao chamado Dia da Árvore. Essa data foi escolhida por anteceder o início da primavera no Hemisfério Sul, estação responsável pelo grande aparecimento de flores e por simbolizar a continuação da vida. Esse dia está relacionado à cultura indígena, que cultua o respeito e a valorização da árvore e tem o intuito de promover a importância da preservação das florestas e trazer o incentivo à proteção do meio ambiente com atitudes que apresentam benefícios à natureza.

As árvores são plantas que possuem um caule lenhoso e são constituídas além do caule, por raiz, folha, flor, fruto e sementes. São detentoras de funções importantes para o nosso planeta, além da própria beleza, retiram poluentes do ar, como o dióxido de carbono (CO2) que em excesso contribui para o aquecimento global. As árvores fornecem a maior parte do oxigênio, além de ajudar a reduzir casos de asma, câncer de pele e de doenças relacionadas ao estresse.

No ecossistema, as árvores desenvolvem um papel muito importante, pois são responsáveis por manter mais de 50% da biodiversidade, variedade de formas de vida que podem ser encontradas na terra como plantas, aves, mamíferos e insetos. 

Cada região brasileira tem uma árvore típica como símbolo: Norte, a castanheira, Nordeste, a carnaúba, Centro-Oeste, o ipê-amarelo, Sudeste, o pau-brasil; e Sul, o pinheiro-do-paraná, também conhecido como araucária.

Entre as diversas espécies arbóreas existentes, incluem-se várias plantas frutíferas, como a mangueira, o limoeiro, a goiabeira, o abacateiro, o pessegueiro e a laranjeira. As árvores são fundamentais para a manutenção da paisagem natural, pois combatem a erosão, preservam os nutrientes do solo, formam barreiras contra a ação das enxurradas, permitem a penetração de água no solo, o que alimenta os lençóis freáticos; diminuem o assoreamento dos rios e oferecem abrigo e frutos aos animais.

As árvores também fornecem base para produtos como medicamentos, chás, xaropes, lambedores e pomadas. E na culinária, temperos e corantes. No município de Poço Redondo (SE) durante as reuniões do coletivo de gênero da Associação dos Pequenos Agricultores de Sergipe (Apaese), certificou-se a existência de saberes e práticas no manuseio de ervas medicinais das camponesas, receitas que poderiam ser publicadas. A ideia de realizar a escrita de uma cartilha sobre conhecimentos tradicionais e a história das mulheres do Sertão Sergipano foi motivada nos encontros do Colegiado Territorial da Cidadania.

A cartilha intitulada: Ervas Medicinais, Saber e Prática no Fazer Feminino, foi publicada pela Sociedade de Apoio Sócio Ambientalista e Cultural (SASAC), em parceria com o Grupo de Trabalho de Gênero do Colegiado Territorial da Cidadania do Território do Alto Sertão Sergipano, e tem como objetivo principal ser usada como um manual de ervas medicinais e contribuir para a preservação dos saberes populares cultivados e nutridos principalmente por mulheres do campo, sobre as ervas e suas utilizações.

Euziane Rafael da Silva, 34 anos, agricultora familiar, residente no município de Poço Redondo (SE), foi uma das mulheres que participou do projeto. A agricultora juntamente com as demais participantes, redigiu a cartilha durante quatro encontros, apelidado por elas de “quintais”. Ao todo, 14 agricultoras participaram da elaboração da cartilha.

Para a agricultora todo o processo vivenciado pelas mulheres camponesas trouxe consigo a essência e o respeito à biodiversidade das árvores e da terra, “todo o cuidado que temos com a natureza é herdado dos nossos ancestrais, pois é da terra que sobrevivemos e vivemos, é por ela que travamos as maiores lutas, por justiça e dignidade”, afirma.

As camponesas do território do Sertão Sergipano trazem consigo a valorização do replantio de árvores. Muitas dessas mulheres são guardiãs de sementes crioulas, as fontes nativas que não sofreram nenhuma modificação genética. “Fazemos o uso racional da água, temos todo o respeito e valorização da biodiversidade das árvores e das espécies nativas, das nossas belezas naturais, da terra e do rio”, conclui a agricultora.


Gabriela Morais, estagiária sob supervisão da Assessoria de Comunicação
Secretaria Especial de Agricultura Familiar e do Desenvolvimento Agrário
Contatos: (61) 2020-0120 e imprensa@mda.gov.br

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