Resultado do Prêmio Margarida Alves - modalidades Ensaio Acadêmico e Pesquisa e Ação

    Rogério Tomaz Jr.

    Resultado do Prêmio Margarida Alves - modalidades Ensaio Acadêmico e Pesquisa e Ação

    17/03/2009 10:03

    Foi anunciado nesta segunda-feira (16) o resultado da  3ª edição do Prêmio Margarida Alves de Estudos Rurais e Gênero nas modalidades Ensaio Acadêmico, voltada a estudantes de cursos de graduação ou recém-formados, e Pesquisa-Ação, voltada ao apoio de projetos a serem realizados em comunidades escolares de nível médio e/ou fundamental.

    Dois trabalhos foram selecionados pela Comissão Julgadora para receberem a premiação em dinheiro e outros dois receberão menções honrosas. Em primeiro lugar, foi classificado o ensaio "As trabalhadoras rurais do estado da Bahia e a violência doméstica", de Raimunda Maria dos Santos, da Universidade Católica de Salvador (UCSal).

    Em segundo ficou o trabalho intitulado "A construção da identidade de gênero das crianças sem terra", de Maria de Lourdes Vicente da Silva, ex-aluna do curso de Pedagogia da Terra ofertado pela Universidade Federal do Pará (UFPA) em parceria com o Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária (Pronera). As autoras receberão os prêmios de R$ 3.500,00 e R$ 2.500,00, respectivamente.

    Serão agraciados com menção honrosa os trabalhos de Maria Joseana da Silva, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), e Lívia Tavares Mendes Froes, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

    Já na modalidade Pesquisa-Ação não houve premiação, pois a Comissão julgou que os trabalhos inscritos não atenderam aos objetivos previstos no Edital do Prêmio.

    A Comissão Julgadora foi composta pelas professoras Ellen Woortmam, da Universidade de Brasília (UnB); Anita Brumer, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS); Maria Isabel Antunes da Rocha e Neuma Aguiar, ambas da UFMG; e Gema Galgani, da Universidade Federal do Ceará (UFC).

    Andrea Butto, coordenadora do Programa de Promoção da Igualdade de Gênero, Raça e Etnia (Ppigre) do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), destacou a trajetória das três edições do Prêmio Margarida Alves e as contribuições para a melhoria das ações do programa. "Os trabalhos inscritos no Prêmio têm ampliado e diversificado a nossa agenda de pesquisa, com a inclusão de novos temas. Verificamos que é necessário estimular ainda mais os estudos de gênero no contexto dos temas de desenvolvimento rural", aponta a coordenadora.

    Questões de gênero no mundo rural

    Para Clarice dos Santos, coordenadora do Pronera, a premiação de um trabalho oriundo do curso de Pedagogia da Terra possui um duplo significado. "Participar do prêmio já representa o reconhecimento e a legitimidade de uma experiência específica diferenciada de educação que é realizada em parceria com as universidades. E ter um trabalho premiado, que reflete as questões de gênero relacionadas, em particular, com as questões da educação infantil, contribui imensamente para o debate que estamos promovendo dentro das universidades a respeito da vida das pessoas nos assentamentos, especialmente das mulheres", assinala.

    Na opinião de Flávio Teixeira, pesquisador do Núcleo de Estudos Agrários e Desenvolvimento Rural (Nead/MDA), o apoio a essas iniciativas têm resultado numa ampliação significativa do alcance das ações desenvolvidas pelo ministério. "Para além dos grupos de mulheres, movimentos sociais e pesquisadoras que de longa data trabalham com a temática, o prêmio tem chamado a atenção e despertado o interesse por questões de gênero no mundo rural para estudantes das mais diversas etapas de escolarização, do ensino básico à pós-graduação. E o sucesso permitiu o seu desdobramento em várias modalidades", ressalta Teixeira.

    Premiação e balanço

    A solenidade de premiação ocorrerá em evento a se confirmar. A idéia é realizá-la durante o 2º Encontro Nacional Pensando Gênero e Ciência, previsto para acontecer em Brasília (DF) entre os dias 27 e 29 de maio deste ano. O encontro reúne núcleos e grupos de pesquisa e é promovido pela Secretaria de Políticas para as Mulheres (SPM/PR), em conjunto com o MDA e outras instituições parceiras.

    Para esta edição, nove ensaios foram enviados, provenientes de estudantes de nove instituições de ensino superior e sete cursos: Serviço Social, Letras, História, Pedagogia, Pedagogia da Terra, Ciências Sociais e Comunicação Social.

    Homenagem

    O Prêmio é uma homenagem a Margarida Maria Alves (1943-1983), militante que presidiu durante doze anos o Sindicato Rural de Alagoa Grande, em Pernambuco. Margarida foi brutalmente assassinada em razão de sua vigorosa atuação em defesa da reforma agrária e contra a exploração e a subordinação feminina, em crime que até o momento permanece impune.

    Além dessas categorias, o Prêmio possui outras duas modalidades: Memória e Acervo (apoio à constituição e difusão de acervos coletivos e registro de memórias) e Pesquisa em nível de pós-graduação (apoio à produção de estudos e pesquisas em nível de pós-graduação, através de convênio com a Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres e com o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico - CNPq).

    O Prêmio é realizado pelo  MDA, por meio do Ppigre, do Nead, do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), por meio da Coordenação-Geral de Educação do Campo e Cidadania, e em parceria com a SPM/PR, Associação Brasileira de Antropologia (Aba), Associação Nacional de Pesquisa e Pós-Graduação em Ciências Sociais (Anpocs), Sociedade Brasileira de Sociologia (SBS) e movimentos sociais.

    Mais informações estão disponíveis no portal do Ppigre: http://www.mda.gov.br/aegre.

    Não avaliada

    Portal do Ministério do Desenvolvimento Agrário
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