A IV Feira Nacional de Agricultura Familiar e Reforma Agrária se despede do público na noite deste domingo (7), com o show Cantos de Trabalho, às 19h, de Vitor Ramil e Marcos Suzano, às 20h30, e de Ramiro Musotto, às 21h30. E deixará saudades.
O espaço multicultural mostrou a plural cena musical brasileira, abriu espaço para os talentos regionais e para experimentações sonoras. Instrumental, rock, reggae, a tradição da viola de raiz, o maracatu, o coco, dentre outros ritmos cativaram o público.
Na abertura da Feira, vindas do Nordeste, as Divas de Pernambuco proporcionaram um choque cultural na capital do rock. A ciranda, o coco e o maracatu foram exaltados nas vozes de Lia de Itamaracá, Cila do Coco, Selma do Coco e as Filhas de Baracho, que fizeram o público dançar com a mais pura tradição popular pernambucana.
Beth Carvalho, ainda na quinta-feira, fez um show histórico, comemorativo aos 40 anos de carreira. Pôs o público para sambar, cantou músicas de grandes compositores e fez homenagens, como a Cartola e Clara Nunes.
A poesia na tradição nordestina foi o destaque da sexta-feira (5), no vibrante espetáculo "Transfiguração", que dá nome ao terceiro CD da banda Cordel do Fogo Encantando. Os músicos, que até se transformarem num grupo musical trabalhavam apenas a linguagem cênica, atraíram o maior público aos espetáculos da Feira.
E do Pará, a releitura de ritmos típicos, como o carimbó. Metaleiras da Amazônia e Coletiva Rádio Cipó trouxeram ilustres anônimos do grande público, mas representativos na cultura local, numa fusão entre o regional e o universal.
Música instrumental
O remelexo que a baiana tem. Simpáticas senhoras do interior da Bahia mostraram samba no pé na abertura do terceiro dia de apresentações no espaço multicultural da IV Feira Nacional de Agricultura Familiar e Reforma Agrária. Eram Os Filhos da Pitangueira, com o samba chulo, resultado da junção da viola caipira com a percussão.
Na apresentação, não era preciso tanto esforço para notar a Bahia. Enquanto uma das baianas assumia o rebolado, as demais marcavam os passos com pequenos instrumentos de percussão. Já o público, ajudava com as palmas. Os homens, violeiros e percussionistas, assumiam um cortejo musical às suas companheiras de palco.
E, de surpresa, Cacai Nunes interage com Os Filhos da Pitangueira, montando, sem intervalo de uma apresentação para outra, os instrumentos. Os baianos se despediram e Cacai entrou em cena com um show instrumental, numa leitura moderna da viola, assim como o povo de Brasília, que o inspira.
A banda de Cacai, tocando viola mais percussão e baixo, produziu um resultado eletrizante de músicas de compositores como Chiquinha Gonzaga e Milton Nascimento. A "deixa" para a entrada da atração seguinte, a dupla Zé Mulato e Cassiano, foram "os cowboys", numa versão brasileira, que fizeram o palco tremer com o sapateado.
Viola de raiz
Zé Mulato e Cassiano apresentaram um repertório de viola caipira de raiz, com temáticas recorrentes, a exemplo da mulher desejada, os desencontros amorosos e a natureza. Valorizam e se orgulham de ser caipiras, uma fonte rica em
tradições na cultura popular brasileira.
"Se me chamam de caipira, fico até agradecido, pois falando sertanejo, eu posso ser confundido, (...) defendo nossas raízes, (...) infelizmente o que vejo, é um bando de sertanejo, com mania de importado", cantou a dupla em tom de crítica.
Já Pereira da Viola, que fechou o show Violeiros do Brasil, retomou uma releitura mais moderna da viola, sem abandonar as raízes, e interagiu bastante com o público. Em seus acordes, o hino nacional ganhou um sotaque caipira.
Dueto afinado
Num dia em que a viola ganhou destaque, sábado (6), a Feira expôs o talento de Yamandú Costa e Armandinho - um dos idealizadores do trio elétrico -, que fecharam a noite instrumental.
E o que se viu no desfecho da noite foi técnica, perícia e intimidade com os instrumentos nas mãos de Yamandú e Armandinho, que mostraram bastante entrosamento. A noite foi uma amostra do potencial da música instrumental, aprovada pelo público.
O repertório cativou as milhares de pessoas que estavam no espaço multicultural, no que parecia um duelo, mas era um dueto instrumental de alta qualidade.