"Ouro" da Amazônia dá brilho ao público

    07/10/2007 18:10

    Do Tocantins, vem a matéria-prima que fascina, que se transforma em belas peças através das mãos de talentosas artesãs. "O que mais encanta as pessoas é o brilho. Elas perguntam se é natural", diz Maria de Fátima Rodrigues, uma das mulheres que dá contorno, que transforma o capim-dourado em ítem de moda. E a resposta de Dona Maria é sim. O brilho impressiona pela beleza e semelhança a um minério cobiçado pelo homem: o ouro.

    A natureza fornece uma beleza peculiar e fácil de ser trabalhada. O capim, que nasce em terras úmidas do Tocantins de setembro a novembro, basta ser lavado e secado para virar colares, brincos, pulseiras e bolsas, que ganham um design original, derivado de uma mistura regional e moderna.

    Num passeio pelo bioma Amazônia, na IV Feira de Agricultura Familiar e Reforma Agrária, o público viu não só a riqueza natural expressada pelo capim-dourado, mas se insurge numa infinidade de possibilidades que a floresta oferece, de forma sustentável, e no modo de vida de um povo que precisa ser preservado e difundido. São as variadas facetas de um País plural.

    Do Pará, a cultura indígena desperta curiosidade. A peça que mais chamou atenção é usada em rituais e festas em aldeias. É o tamocó, uma veste rústica feita de palhas retiradas de uma árvore que os índios chamam de aty. Por trás do produto, que sai das aldeias e ganha o Brasil e o mundo através de turistas, está uma lenda que habita o imaginário da floresta.

    Mãe natureza

    Jaruo Apalay veio do Município de Almeirim, no Pará, onde está a aldeia que nasceu. Ele relata que os mais experientes já escutaram gritos da "mãe natureza", outros até a viram. De acordo com a história oral desse povo, é a "mãe natureza" que permite o uso da floresta, a quem se deve reverência.
     
    Os elementos da cultura indígena também se expressam no artesanato por meio de instrumentos de percussão, muitos deles já absorvidos pelo homem branco. Chama atenção o "pau de chuva", para chamar chuva, ritual tão retratado humoristicamente em desenhos animados. É a cultura desse povo se
    disseminando e ao acesso de todos.
     
    Mas não só os índios mantêm uma convivência pacífica com a floresta. Pelos corredores da Feira, surgiram diversos exemplos que congregam preservação e renda para o homem, desconstruindo o discurso desenvolvimentista. De Rondônia, a cada 60 dias sai um contêiner para a França contendo palmitos, uma venda que reverte cerca de R$ 190 mil a uma associação de produtores rurais. A retirada da
    matéria-prima é manejada, um princípio da sustentabilidade.

    Da floresta também é extraída a cura para inúmeros males. "Vendemos quase 100% dos produtos", comemora José Marinho dos Santos, de Rondônia, ao se referir ao óleo de copaíba, que, segundo ele, atua no tratamento de doenças respiratórias,
    dores reumáticas, dentre outras doenças.


    Não avaliada

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