Milhares de quilômetros separam as aldeias dos Arapaçus, Piratapuios, Tucanos, Pataxós e Kaiangs dentro do imenso território brasileiro. Mas na IV Feira Nacional de Agricultura Familiar e Reforma Agrária, essa distância se resume a alguns passos entre o estandes. Na Amazônia, na Caatinga, no Cerrado, na Mata Atlântica e no Pampa, todos os biomas da Feira, há exemplos das culturas que primeiro habitaram a terra verde-amarela.
De seus estados, eles trazem o minucioso trabalho do artesanato - produto que possibilita aliar a tradição indígena à necessidade de vender, fruto da convivência com o modo de viver "branco".
"A colonização desrespeitou nosso jeito de viver, de plantar, trouxe a soja e queria que entrássemos na monocultura. Meu povo foi resistente, guerreiro, mas como falta terra para plantar, precisamos do dinheiro do artesanato. É a única tradição que podemos vender", explica Ope, da terra indígena Irai, no Rio Grande do Sul.
Índias e artesãs
Para a pataxó Juliana Santana, da aldeia Boca da Mata, na Bahia, trazer as bijuterias das dezenove mulheres que representa é um privilégio. "Fico feliz em ajudar a levar renda para minha comunidade e ainda divulgar nosso trabalho", diz. A representante baiana explica que na Feira, diferente do que acontece no interior da Bahia, o trabalho é valorizado e o preço é bom. "Tudo o que se traz vende", completa.
Délia Velozo, coordenadora da União das Mulheres Artesãs Indígenas do Médio Rio Negro (UMAI), do Amazonas, revela que o artesanato dá força para as mulheres. "Os homens acabam 'escanteando' as mulheres, não dão espaço", diz. Com a Umai, essa história mudou. "Agora até os maridos e filhos vêm ajudar quando a encomenda é grande", relata Délia.