I Terra Madre Brasil acontece durante a Feira Nacional

    02/10/2007 17:10

    Brasília será o ponto de encontro dos protagonistas da ecogastronomia brasileira. O Terra Madre Brasil, encontro inédito de produtores familiares, chefs, acadêmicos e consumidores reúne entre esta quinta-feira (4) e domingo (7) cerca de 500 participantes ligados ao movimento Slow Food em todo o País. A abertura do encontro será durante a IV Feira Nacional de Agricultura Familiar e Reforma Agrária, promovida pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA). O evento tem como objetivo mostrar, debater e promover a alimentação saudável, baseada na diversidade dos alimentos e dos sabores.

    Esse é o primeiro encontro da rede de colaboradores do Slow Food de todas as regiões brasileiras, que estarão trocando experiências e receitas, participando de oficinas de degustação de alimentos, conhecendo a diversidade de sabores e produtos e apresentando também pratos e tradições gastronômicas. O Slow Food surgiu na Itália, em 1989, como um movimento em contraposição ao fast food, aos alimentos industrializados e aos problemas causados ao homem em decorrência do ritmo de vida acelerado e por uma alimentação inadequada.

    O Terra Madre Brasil se realiza na Feira como decorrência natural do encontro entre produtores, cozinheiros e consumidores e da estreita relação entre a agricultura familiar e os territórios rurais. A ecogastronomia é uma uma culinária baseada na produção ecológica, sem insumos químicos, e na qualidade dos alimentos. Outro aspecto da ecogastronomia é a preservação do modo de produção desses alimentos por comunidades rurais, chamadas pelo Slow Food de "comunidades do alimento".

    Será uma versão brasileira do Terra Madre Internacional, realizado em Turim em 2006 e que reuniu nove mil participantes, dentre eles mil chefs de todo o mundo. No encontro em Brasília, estarão presentes cerca de 170 representantes de 76 comunidades produtoras de alimentos agroecológicos e tradicionais no Brasil. Também já confirmaram presença estudiosos e acadêmicos de 12 universidades brasileiras, além dos líderes dos 13 comitês regionais do Slow Food no Brasil, os Convivia, e representantes de dois países da América Latina ligados ao movimento e o secretário nacional italiano de Slow Food e um dos fundadores do movimento, o italiano Silvio Barbero.

    Espaço Gourmet

    Como não poderia faltar, 26 chefs, gourmets e restauranteurs de diversas cozinhas e regiões do Brasil, adeptos da filosofia do Slow Food, arregaçam as mangas e promovem, na prática, a filosofia do movimento, que prega a união entre os saberes dos produtores da terra, dos cozinheiros e dos acadêmicos. De sexta-feira (5) a domingo (7), a Feira contará com o Espaço Gourmet Slow Food. Nele, os chefs consagrados promovem oficinas de degustação e almoços e jantares temáticos.

    A seleção de Chefs para o Espaço Gourmet, que será administrada pela Associação Brasileira de Bares e Restaurantes do Distrito Federal, dá a dimensão dos craques da ecogastronomia verde-amarela em campo: de Pirenópolis (GO), as chefs Emiliana Azambuja e Murielle Dargaud; de Belém (PA), os chefs Ofir de Oliveira, do Restaurante Sabor Selvagem, e Fábio Sicília, do Restaurante Dom Giuseppe; de Brasília (DF), Rita de Medeiros, da Sorbê, Ana Toscano, do Vila Borghese, e Mara Alcamin, do Restaurante Zuu aZdZ; de Minas Gerais, a chef Beth Beltrão, do Restaurante Viradas do Largo, em Tiradentes; e do Rio de Janeiro, a chef Teresa Corção, do Restaurante O Navegador, entre outros que participam do evento.

    Os cardápios valorizam o produtor e seu alimento, a educação para o gosto e o sabor, a diversidade e a territorialidade dos alimentos. A idéia é conjugar o prazer e a alimentação com consciência e responsabilidade, reconhecendo "as fortes conexões entre o prato servido e o planeta", como ressalta o manifesto do movimento. No menu do Espaço Gourmet, há desde Bolinhos de Piracuí com Pirarucu a Cheviche de Frutos do Mar com Caipirinha de Cupuaçu, passando pela Super Tapioca.

    Renda para agricultores

    O comércio solidário estará inclusive presente nos jantares. Quem estiver interessado em degustar os pratos oferecidos pode solicitar uma das exclusivas 80 reservas pelo site www.querocomer.com.br. Os convites são individuais e custam R$ 100. A renda obtida com os ingressos será revertida para as Fortalezas dos Sabores, que estarão presentes em estandes da Feira - são comunidades produtoras de alimentos especiais que correm risco de ter seu produto ou a sua tradição culinária extintos.

    No espaço Fortalezas dos Sabores, estarão expostos produtos e sua filosofia de produção durante os quatro dias. São produtos como o Arroz Vermelho, do Território Rural do Vale do Piancó (PB); o Umbu proveniente do Sertão do São Francisco (BA); o raro Palmito Juçara, produzido na reserva de Mata Atlântica dos índios Guarani do Silveira e no município de Boa Vista (SP); o Néctar das Abelhas e o Waraná (espécie de guaraná) nativo dos Sateré Mawé, indígenas da reserva Andirá Maraú, entre o Amazonas e o Pará; o Feijão Canapu, trazido pelos africanos e produzido há séculos no Vale do Guaribas (PI); e a Castanha-de-baru, do Cerrado brasileiro, em Pirenópolis (GO).

    Palestras e conferências

    Simultaneamente às atividades do Terra Madre Brasil na Feira, outra parte da programação se realiza também no Hotel Bay Park. Lá se concentram as palestras, conferências e painéis de chefs de todo Brasil, de estudiosos, de produtores e profissionais do desenvolvimento agrário. Nos quatro dias de encontro, eles abordam temas relativos à ecogastronomia, à qualidade de vida e à comercialização de alimentos de qualidade.

    Entre os diversos assuntos, destacam-se a apresentação do Sistema Unificado da Atenção à Sanidade Agropecuária (Suasa), pelo MDA; as sementes crioulas e a diversidade alimentar, apresentada pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa); a importância da economia solidária, do comércio justo e do consumo consciente; os direitos de propriedades das comunidades tradicionais; a agroecologia e a educação.

    O evento é restrito aos participantes pré-inscritos e tem como meta promover a troca de experiências entre os três pilares do movimento Slow Food: as comunidades do alimento, os chefs de cozinha e os acadêmicos.

    Intercâmbio de saberes

    Na quinta feira, a partir das 14h, realiza-se um momento especial do encontro: o Intercâmbio de Saberes e Sabores. Nessa tarde, os participantes se permitem reduzir um pouco o corre-corre cotidiano para saborear produtos e conversar.

    A idéia é valorizar o manifesto e a filosofia do Slow Food, que relembra: "Comer é fundamental para viver. A forma como nos alimentamos tem profunda influência no que nos rodeia - na paisagem, na biodiversidade da terra e nas suas tradições. Para um verdadeiro gastrônomo é impossível ignorar as fortes relações entre prato e planeta", conforme consta na filosofia Slow Food.

    O que é o Slow Food

    Fundado por Carlo Petrini em 1986, Slow Food se tornou uma associação internacional sem fins lucrativos em 1989. Atualmente, conta com mais de 80 mil membros e tem escritórios na Itália, Alemanha, Suíça, Estados Unidos, França, Japão e Reino Unido, e apoiadores em 122 países.

    O princípio básico do movimento é o direito ao prazer da alimentação, utilizando produtos artesanais de qualidade especial, produzidos de forma que respeite tanto o meio ambiente quanto as pessoas responsáveis pela produção, os produtores.

    Não avaliada

    Portal do Ministério do Desenvolvimento Agrário
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