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    Autor: Ubirajara Machado

    O Brasil Rural Contemporâneo rumo ao Rio de Janeiro

    14/11/2008

    Para se deslocar do Alto Xingu, em Mato Grosso, até o Rio de Janeiro, o representante do povo indígena Waurá na V Feira Nacional da Agricultura Familiar e Reforma Agrária necessitará de cerca de 33 horas, divididas em barco, automóvel, ônibus e avião. Já os representantes do grupo Asqfort, de Rondônia, terão pela frente uma viagem de cerca de 27 horas quando partirem, de ônibus, do distrito de Forte Príncipe da Beira (às margens do rio Guaporé), no município de Costa Marques (RO), para Porto Velho, de onde seguem para o Rio de avião.

    Os exemplos de Mato Grosso e Rondônia dão uma pequena dimensão da logística  montada pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) para levar ao Rio de Janeiro os produtores e os produtos que serão expostos e comercializados na Feira, que será realizada de 26 a 30 de novembro na Marina da Glória. “O trabalho é grande. Mas, no final, tudo dá certo”, explica José Adelmar Batista, coordenador-geral de Planejamento e Implantação de Projetos da Secretaria de Agricultura Familiar do MDA.

    Os produtos não-perecíveis seguirão de diferentes pontos do País para o Rio de Janeiro via terrestre, em caminhões-baú. Postos de coleta foram organizados em todos os estados pelas delegacias do MDA. Em Mato Grosso, os produtos são direcionados para núcleos em Cuiabá, Alta Floresta e Canarana. A coleta termina nesta sexta-feira (14).

    No caso dos produtos perecíveis, a coordenação da Feira optou pelo transporte aéreo. O MDA organizou 70 pontos para coleta destes produtos em todo o País. Antes, eles serão apanhados diretamente nas propriedades dos expositores. Os produtos perecíveis começam a chegar ao Rio de Janeiro no dia 24 de novembro e serão acondicionados em câmaras frias.

    Entre esses produtos, estão cerca de 400 quilos de queijos, que serão expostos e comercializados por agricultores familiares dos municípios mineiros de Salinópolis, Patos de Minas, Medeiros e Sacramento. De Florianópolis (SC), serão transportados ostras e mexilhões produzidos em cativeiro pela  Federação dos Maricultores de Santa Catarina (Famasc) e a Cooperativa Aquícola da Ilha de Santa Catarina (Cooperilha).

    O transporte aéreo também será utilizado para levar ao Rio os expositores de  Rondônia, Acre, Amazonas, Roraima, Amapá, Pará e Mato Grosso. Dos demais estados, eles seguirão em 14 ônibus, que chegarão ao Rio de Janeiro no dia 25.  Diversas rotas foram montadas. Uma delas parte de Porto Alegre e faz paradas nos municípios gaúchos de  Novo Hamburgo, Carlos Barbosa, Garibaldi, Bento Gonçalves, Caxias do Sul, Antônio Prado e Vacaria antes de chegar ao Rio de Janeiro.

    A longa trajetória que será percorrida até a capital carioca tem como estímulo a realização da Feira Nacional da Agricultura Familiar em um grande centro consumidor. “Vale a pena vencer as dificuldades do transporte pelos pontos de vista econômico, cultural e de apresentação dos produtos. Em Minas, temos exemplos de produtores que ganharam mercados de exportação após a exposição na Feira” , lembra o delegado do MDA no Estado, Rogério Correa.

    O transporte de produtos é custeado pelo MDA. No caso dos expositores, o Ministério paga o deslocamento a partir dos pontos de partida das rotas rodoviárias e dos aeroportos.

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