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07/10/2007
“Nós estamos muito felizes”. Essa frase do ministro do Desenvolvimento Agrário, Guilherme Cassel, sobre a realização da IV Feira Nacional de Agricultura Familiar e Reforma Agrária, que se encerra hoje (7), em Brasília, resume não só o sentimento dos organizadores do evento como também dos expositores vindos de todas as regiões do Brasil (leia abaixo).
Este ano, a Feira teve mais de 200 mil visitantes entre a quinta-feira (4) e este domingo. Esse número superou a soma de todo o público que esteve presente nas três edições anteriores do evento. Foram comercializados cerca de R$ 6 milhões, contabilizando apenas as transações realizadas nos estandes. Em 2007, as vendas diretas aos consumidores mais a Rodada de Negócios somaram R$ 21 milhões.
Para o ministro, os bons resultados se devem à qualidade dos artigos apresentados pelos agricultores familiares e assentados da reforma agrária. “A Feira superou todas as expectativas. Acima de tudo, o que mais chamou a atenção foi a qualidade, a diversidade, a riqueza e a boa apresentação dos produtos”, reforçou o ministro.
Investimento que vale a pena
Cassel acredita que os agricultores familiares e os assentados da reforma agrária respondem com rapidez e com muita qualidade aos estímulos das políticas públicas. “Nós vimos aqui uma prova de que vale a pena o governo investir nesse setor”, ressaltou.
De acordo com o ministro, esse cenário representa uma nova realidade no campo. “O Brasil está deixando para trás aquela imagem de que agricultura familiar e assentamentos de reforma agrária são espaços de pobreza e de atraso”, afirmou. “Ano que vem, tem mais Feira e vai ser melhor ainda”, prometeu.
Opinião dos expositores
O agricultor Alceu Primel, do Rio Grande do Sul, vai voltar de mãos vazias para casa. O público que visitou a Feira logo nos primeiros dias conseguiu comprar o feijão moiashi, o azuki e outros tipos de grãos produzidos no Pampa sem uso de agrotóxicos. Ele vendeu os 500 quilos que trouxe para o evento. “Às 3h de sábado, já não tinha mais nada”, comemora Primel. Celebrando, já faz planos para 2008. “Quero voltar ano que vem. Nunca aconteceu isso nas outras feiras que participei”.
Outro sucesso de vendas foi a aguardente Pilão, feita com melado, vendida no estande Coopcachaça. As 15 caixas da bebida acabaram no terceiro dia do evento. A garrafa foi comercializada por R$ 15.
O produto encantou os visitantes que não gostam muito do sabor da cachaça pura. Sergio Peralta, produtor da bebida, conta o segredo das vendas. “Não tem diferença entre a cachaça que fazemos para beber e para vender. É o mesmo carinho na produção”, afirmou.
O estande Arts Fish esteve cheio durante todos os dias da Feira. “Olha a textura do material! A gente não encontra isso aqui em Brasília”. Frases como essas eram freqüentes no local. As brasilienses gostaram da qualidade e da variedade de modelos das bolsas, cintos e carteiras, todos feitos em couro de tilápia.
“Vendemos mais de R$ 4 mil. Isso para nós é um sucesso!”, vibra a artesã Beloni Pierrard, do município de Mundo Novo (MS). O trabalho árduo, de mais de uma semana na produção de uma peça, foi recompensado. Ela quer repetir a dose no ano que vem. “Gostei de Brasília, gostei da Feira e quero voltar”, empolga-se.
Negócios futuros
Das 60 bolsas confeccionadas em cipó ambé e titica vindas da Amazônia especialmente para a Feira, apenas uma estava até a noite de domingo (7) na prateleira. Marcos Tejo, gestor do grupo de artesãos Floresta da Amazônia, de Manicoré (AM), comemora o faturamento de cerca de R$ 2 mil.
“Estou satisfeito demais não só pelas vendas, mas pelo sucesso que os produtos fizeram. Não vendemos mais porque não tínhamos peças”, afirmou, alegre. Tejo também vibrou com as propostas para estabelecer pontos de revenda de seus artigos em Brasília.
O expositor Eduardo Figueiredo de Souza, de Passagem (PB), trouxe para Brasília 240 quilos de queijo, metade de leite de cabra e metade, de vaca. Ele explica que todo o estoque de queijo caprino foi vendido até o sábado (6) e que neste domingo (7) ainda esperava vender os últimos 60 quilos do produto bovino. Souza obteve um faturamento de cerca de R$ 1,6 mil.
Segundo ele, como o público brasiliense é esclarecido e preocupado com a saúde, prefere os produtos à base de leite de cabra. “Tive um bom faturamento, mas, no próximo ano, vou me preparar melhor e trazer mais itens à base de leite caprino”, planeja. “Só hoje (7) mais de 30 pessoas vieram atrás dessa mercadoria”, contou.
Souza também está levando para Passagem propostas para comercializar em Brasília os artigos produzidos pela associação de produtores que integra. “Se o consumidor provou e gostou, não tem barreiras para o produto vencer”, avaliou.