Zambiapunga
A cidade de Nilo Peçanha, na Bahia, que tem cerca de 18.000 mil habitantes, traz como maior representação cultural dos seus legados, o zambiapunga que é considerada o símbolo da cultura popular da região.
Esta manifestação, que tem mais de duzentos anos de existência, simboliza o autêntico folclore baiano e é considerada uma manifestação exclusiva da Região do Baixo Sul da Bahia. Tem origem nos povos bantos, que vieram da África, mais especificamente do Congo e de Angola.
Tradicionalmente o Zambiapunga desfila na madrugada do dia 31 de outubro para o dia 1º de novembro, nos festejos juninos e, sobretudo, nos que envolvem a devoção ao padroeiro da cidade. Porém, uma outra data significativa para a apresentação desta dança ocorre no dia de Todos os Santos, que antecede o feriado de finados. Neste dia em especial, o colorido das roupas usadas na apresentação, representa as boas energias para receber os espíritos com cores e alegria.
O grupo de Zampiapunga de Nilo Peçanha é formado por cerca de 60 homens que saem mascarados, trajando roupas e capacetes coloridos feitos de papel de seda e cetim. Os sons, que são tocados nestes eventos culturais, são extraídos de instrumentos como enxadas, tambores, cuícas (berra boi) e búzios - ferramentas utilizadas pelos escravos no dia a dia de seus trabalhos nas lavouras e nos remanescestes de quilombos que ainda hoje existem nesta região.
Este grupo tem no total 120 integrantes, sendo 70 adultos e 50 crianças e adolescente entre 10 e 18 anos (estes últimos fazem parte do Zambiapunga mirim). Uma curiosidade do grupo é o laço de parentesco que existe entre eles, já que a grande maioria faz parte de um mesmo núcleo familiar. Dessa forma, dá-se continuidade a uma tradição herdada de pai para filho originada dos antigos mestres da cultura popular da região.
Um ano que dividiu águas no cenário cultural foi o de 1982, quando a Professora Lili Camadelli, junto com as escolas estaduais do município, fez um levantamento de dados com pesquisas sobre o Zambiapunga. A partir daí, esta tradição ganhou notoriedade, sendo destacada em emissoras de TV e diversos programas televisão e jornais. Foi citada, inclusive, em matéria no New York Times na apresentação do panorama percussivo Mundial (Perc Pan). Participou ainda de viagens nacionais chegando até a representar o Brasil no Marrocos, no Festival de Ritmos do Mundo.