Gilberto Gil

GILBERTO GIL

O mestre Luiz Gonzaga incorporou ao seu canto o toque das zabumbas do couro de boi das bandas de “esquenta muié” do sertão. Para acompanhar e brigar com o grave arrancado do couro da zabumba, Mestre Lua elege o agudo vibrante do “tinguilim” (o chama-gente do vendedor ambulante de cavaco chinês): o triângulo. Estava formado o casamento perfeito que dava formas ao baião: o trio nordestino de Luiz Gonzaga.

O nascimento da celebração do forró, sua musicalidade à moda indígena, à moda do samba, da música árabe, do xote português, da canjica de milho, das festas” For All” pós guerra, dava luz a um espelho do nosso povo, uma raiz desinencial de cada brasileiro. O nordeste, nosso ponto de partida, nosso ponto de intercessão.

O Brasil e seus artistas sempre tiveram imenso prazer em perpetuar a cultura do baião, do xaxado, do xote. O Brasil não tem vergonha da cultura sem vergonha, do agarradinho, do bate-coxa, do esquenta-mulé.

O show “Fé na Festa” presenteia o público com a nova viagem de Gilberto Gil pelo universo descontraído do baião. Gil insere seu discurso através de canções autorais, como a inédita “Fé na Festa”, ou o sucesso “Esperando na Janela” (parceria com Targino Gondim), e suas próprias intercessões sonoras nas interpretações de jóias do cancioneiro nordestino como “Dança da Moda” (Luiz Gonzaga/Zé Dantas), “Sorriso Cativante” (Dominguinhos e Anastácia) e “Fulô da Maravilha” (Luiz Bandeira). Acompanhado pelo guitarrista Sergio Chiavazzolli, o baterista Jorge Gomes, o baixista Arthur Maia, o acordeonista Toninho Ferragutti e o percussionista Gustavo Di Dalva, o artista celebra, recria e inova o forró do São João.

Fé na Festa - música nordestina em seu lamento e seu festejo, a cultura brasileira engendrada em espectro, em sombra e em cor: em sons de 2010.

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