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Brasil Rural Contemporaneo 2012

Mulheres agricultoras mostram que a terra também é delas

01/11/2012 12:00


Mulheres agricultoras mostram que a terra também é delas

Foto: Eduardo Aigner/AscomMDA

Embrenhadas nos babaçuais dos estados do Maranhão, Pará, Piauí e Tocantins, as quebradeiras de coco babaçu fazem parte da cultura deste País. Antes acostumadas a depender de patrões e maridos, elas aprenderam a lutar e conquistaram direitos que nunca pensaram ter. O de vender os próprios produtos para quem preferir, de administrar o dinheiro desta venda, de poder opinar e decidir.

No Brasil Rural Contemporâneo 2012, as mulheres assumem seu lugar como agricultoras familiares, protagonistas de suas vidas e da produção. Tudo isso sem perder a vaidade e a feminilidade. Para mostrar esta nova cara do campo, a VIII Feira Nacional da Agricultura Familiar e Reforma Agrária reserva um espaço especial para a Organização Produtiva das Mulheres com 15 estandes que conjugam a beleza e a força do trabalho feminino no meio rural.

Atualmente, elas somam quase 48% da população do campo, e cerca de 20% assumem o papel de chefes de família. Desde o artesanato até a horticultura, as mulheres desenvolvem atividades essenciais para a manutenção das propriedades e geração de renda. O Brasil Rural Contemporâneo será um espaço privilegiado para apresentar estes trabalhos e ampliar o mercado para a produção rural feminina.

“Estamos conseguindo tirar das pessoas, principalmente das próprias mulheres, a ideia de que ela é uma ajudante. Ela é protagonista. Isso tem que ser reconhecido e divulgado. A Feira é a vitrine para mostrar ao Brasil a força destas mulheres”, explica a diretora de Políticas para as Mulheres do MDA, Karla Hora.

Um dos destaques no Brasil Rural Contemporâneo 2012 é o Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu (MIQCB), que traz para a Feira produtos derivados do babaçu como azeite, farinha e artesanatos. Além da qualidade dos produtos, é uma oportunidade do visitante conhecer a história e a luta destas mulheres.

Mulheres das florestas

“Muito embora a gente quebrasse o coco, tirasse o azeite e fizesse tudo, o homem é que era o dono, ele que mandava em tudo na casa. Quem vendia e comprava. A gente produzia, mas não tínhamos essa noção de que estávamos sustentando a casa, muitas vezes”, conta Helena Gomes da Silva, 43 anos.

A mudança não aconteceu de forma mágica, foi resultado de um longo processo de organização e conscientização. Juntas as quebradeiras fundaram, em 1991, o MIQCB a fim de alcançar melhores condições de vida e de trabalho e garantir seus direitos enquanto cidadãs. Hoje, mais de seis mil mulheres participam diretamente das reuniões promovidas pelo movimento.

Voz e vez

Helena aprendeu a quebrar coco com a mãe aos sete anos para ajudar no sustento da família. “Naquela época era muita pobreza. Os produtos não tinham valor e a gente tinha obrigação de vender para o dono da terra”, lembra. O Brasil tem mais de 18 milhões de hectares de florestas nativas de babaçu, muitas delas concentradas em áreas privadas. A publicidade e o trabalho do movimento ajudam a garantir às quebradeiras o acesso aos babaçuais e o direito de comercialização do recurso natural.

Assim, as quebradeiras conseguem vender diretamente não só o coco in natura, como a produção já manufaturada (azeite e farinha), o que aumentou o valor da margem de lucro. Organizadas, muitas delas comercializam para os programas de Aquisição de Alimentos (PAA), de Alimentação Escolar (Pnae) e mercados locais. “É bem diferente da criação que eu tive. Eu ajudava minha mãe a quebrar coco para comprar comida, meus filhos nunca precisaram me ajudar”, compara Helena.

Babaçu: É uma das palmeiras mais abundantes no Brasil e pode atingir até 20m de altura.

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